O Impacto dos Hormônios na Visão: Olho Seco e Alterações no Grau na Menopausa

Quando pensamos nos sintomas da menopausa, é comum lembrar das ondas de calor, alterações do sono, mudanças de humor e irregularidades menstruais.

Mas existe uma parte do corpo que também pode sentir os efeitos dessa fase e que muitas vezes passa despercebida: os olhos.

Durante a transição menopausal, as mudanças nos níveis dos hormônios sexuais podem influenciar diferentes estruturas oculares, especialmente a superfície do olho.

Algumas mulheres passam a perceber:

  • sensação de areia nos olhos;
  • ardência;
  • olhos vermelhos;
  • maior sensibilidade à luz;
  • cansaço visual;
  • visão que parece oscilar;
  • dificuldade para permanecer muito tempo diante de telas;
  • necessidade de piscar com mais frequência;
  • desconforto ao usar lentes de contato.

Em alguns casos, também surge a impressão de que “o grau mudou”.

E essa percepção pode ter diferentes explicações.

A menopausa pode participar desse processo, mas não é correto atribuir qualquer alteração visual exclusivamente aos hormônios.

A idade, a presbiopia, o uso de telas, medicamentos, doenças oculares e diversas outras condições também podem interferir na visão.

Por isso, entender a diferença entre alteração da superfície ocular, mudança da refração e envelhecimento natural dos olhos é fundamental.

A menopausa realmente pode afetar os olhos?

Sim.

A superfície ocular possui receptores e mecanismos influenciados por hormônios sexuais, e alterações hormonais podem modificar o funcionamento das glândulas responsáveis pela produção e manutenção do filme lacrimal.

Revisões científicas apontam que estrogênio, progesterona e principalmente os andrógenos participam da fisiologia da superfície ocular. A relação, entretanto, é complexa e não pode ser resumida simplesmente à ideia de que “menos estrogênio causa olho seco”.

Uma revisão publicada em 2026 reforçou essa visão mais moderna ao destacar que o olho seco relacionado à menopausa envolve não apenas alterações hormonais, mas também mecanismos imunológicos e inflamatórios na superfície ocular.

Ou seja:

os hormônios podem fazer parte da história, mas não são o único fator.

Por que o olho seco pode aparecer na menopausa?

Para entender isso, primeiro precisamos entender o que é o filme lacrimal.

A superfície do olho é coberta por uma fina camada de lágrimas que ajuda a:

  • manter a córnea hidratada;
  • proteger contra agentes externos;
  • reduzir o atrito durante o piscar;
  • fornecer nutrientes à superfície ocular;
  • contribuir para uma visão nítida.

Esse filme lacrimal não é simplesmente “água”.

Ele possui diferentes componentes, incluindo uma camada aquosa e uma camada lipídica produzida pelas glândulas de Meibomius, além de componentes mucosos.

Alterações em qualquer uma dessas partes podem comprometer a estabilidade das lágrimas.

Revisões sobre olho seco na menopausa mostram justamente que os hormônios sexuais podem influenciar as glândulas lacrimais, as glândulas de Meibomius e outras estruturas da superfície ocular.

O papel dos andrógenos também merece atenção

Esse é um detalhe que costuma ficar de fora das explicações mais simples.

Durante muito tempo, a discussão sobre olho seco na menopausa ficou concentrada principalmente na queda do estrogênio.

Hoje, entretanto, pesquisadores também estudam o papel dos andrógenos.

Uma revisão publicada na revista Menopause observou que níveis baixos de andrógenos parecem apresentar uma relação mais consistente com o desenvolvimento do olho seco do que simplesmente níveis baixos de estrogênio.

Isso ajuda a explicar por que a relação entre menopausa e olho seco é mais complexa do que parece.

Não existe necessariamente um único hormônio responsável pelo problema.

Quais são os sintomas mais comuns de olho seco?

O olho seco pode produzir sintomas bastante variados.

Entre os mais comuns estão:

  • sensação de areia;
  • ardência;
  • coceira;
  • vermelhidão;
  • lacrimejamento;
  • sensibilidade à luz;
  • sensação de corpo estranho;
  • visão embaçada ou oscilante;
  • cansaço ocular;
  • desconforto ao ler;
  • dificuldade com telas;
  • intolerância às lentes de contato.

Um detalhe curioso é que olho seco pode provocar lacrimejamento.

Isso acontece porque a irritação da superfície ocular pode estimular uma produção reflexa de lágrimas.

Por isso, ter olhos lacrimejando não significa necessariamente que a superfície esteja bem hidratada.

Por que a visão pode ficar embaçada quando o olho está seco?

Essa relação é especialmente importante.

A córnea é uma das principais estruturas responsáveis pela refração da luz.

Para que a imagem fique nítida, sua superfície precisa apresentar características ópticas relativamente estáveis.

Quando o filme lacrimal se rompe rapidamente ou fica irregular, a superfície óptica do olho também pode ficar menos estável.

O resultado pode ser uma visão que:

  • fica nítida por alguns segundos;
  • depois embaça;
  • melhora ao piscar;
  • volta a ficar embaçada durante a leitura.

Isso pode dar a impressão de que o grau mudou.

Mas, em alguns casos, o problema está na superfície ocular e não necessariamente na receita dos óculos.

Como saber se o grau realmente mudou?

Essa é uma das dúvidas mais importantes.

Imagine uma mulher que começa a perceber que precisa aproximar mais o celular para conseguir ler.

Ela pode pensar:

“Meu grau aumentou.”

Mas existem várias possibilidades.

Pode ser:

  1. progressão da presbiopia;
  2. alteração refrativa verdadeira;
  3. olho seco;
  4. fadiga visual;
  5. iluminação inadequada;
  6. uso excessivo de telas;
  7. alguma alteração na córnea;
  8. alteração do cristalino;
  9. outra condição ocular.

Por isso, somente uma avaliação oftalmológica pode determinar o que realmente está acontecendo.

A menopausa muda o grau dos óculos?

Pode haver alterações oculares durante essa fase, mas a relação direta com uma mudança significativa de refração não é tão simples.

Um estudo publicado em 2025 comparou mulheres pré-menopáusicas e pós-menopáusicas e encontrou diferenças na espessura e em características da córnea, mas não encontrou impacto significativo da menopausa sobre o erro refrativo.

Outro estudo com mulheres pré e pós-menopáusicas também não encontrou relação clara entre menopausa, espessura corneana, comprimento axial e valores refrativos.

Portanto, seria exagerado afirmar:

“A menopausa muda o grau dos óculos.”

O mais correto é dizer:

a menopausa pode estar associada a alterações na superfície e em algumas características dos olhos, enquanto mudanças no grau podem ter múltiplas causas.

Então por que tantas mulheres percebem mudanças na visão?

Porque a menopausa geralmente acontece em uma fase da vida em que outras alterações relacionadas à idade também estão acontecendo.

E uma das mais importantes é a presbiopia.

A presbiopia é a dificuldade progressiva para enxergar de perto que ocorre com o envelhecimento.

Ela acontece principalmente porque o cristalino perde gradualmente sua capacidade de alterar o foco para objetos próximos.

Por isso, depois dos 40 ou 45 anos, é muito comum perceber:

  • necessidade de afastar o celular;
  • dificuldade para ler letras pequenas;
  • necessidade de mais luz para leitura;
  • cansaço durante tarefas de perto;
  • dificuldade para alternar rapidamente entre perto e longe.

Isso pode acontecer simultaneamente à menopausa.

Mas uma coisa não significa necessariamente que a outra seja a causa direta.

Menopausa e presbiopia podem acontecer ao mesmo tempo

Essa talvez seja a melhor maneira de entender o problema.

A mulher chega aos 45, 50 ou 55 anos e começa a apresentar alterações hormonais.

Ao mesmo tempo, o sistema de acomodação dos olhos está passando por mudanças relacionadas à idade.

Se ela também desenvolve olho seco, a experiência visual pode ficar ainda mais desconfortável.

Assim, três situações podem se somar:

menopausa + presbiopia + olho seco.

O resultado pode ser uma sensação de que “minha visão piorou de repente”.

Mas cada componente pode ter uma explicação diferente.

A córnea também pode sofrer alterações

A córnea é a estrutura transparente localizada na parte anterior do olho.

Ela possui papel importante na refração da luz.

Pesquisas indicam que características corneanas podem variar conforme o estado hormonal.

Um estudo publicado em 2025 encontrou diferenças na espessura e características da córnea entre mulheres menopáusicas e não menopáusicas.

Uma meta-análise publicada em 2026, reunindo dez estudos e quase mil olhos, encontrou associação entre pós-menopausa, menor espessura corneana central e maior pressão intraocular, embora os próprios autores tenham destacado elevada heterogeneidade entre os estudos.

Esse tipo de informação é importante principalmente para profissionais que acompanham a saúde ocular.

Por que a espessura da córnea importa?

A espessura da córnea pode influenciar a interpretação de determinadas medidas oftalmológicas, incluindo a pressão intraocular.

Isso é relevante porque a pressão intraocular é um dos parâmetros considerados na avaliação do risco de glaucoma.

Isso não significa que:

“menopausa causa glaucoma”.

Essa afirmação seria incorreta.

Significa que mudanças oculares relacionadas à idade e ao estado hormonal podem ser relevantes durante uma avaliação oftalmológica completa.

O olho seco pode ser pior para quem usa lentes de contato

As lentes de contato ficam diretamente sobre a superfície ocular.

Por isso, alterações no filme lacrimal podem aumentar o desconforto.

Uma mulher que antes conseguia usar lentes durante todo o dia pode começar a perceber:

  • ardência;
  • ressecamento;
  • sensação de corpo estranho;
  • visão oscilante;
  • necessidade de retirar as lentes mais cedo.

Se isso acontecer, não é uma boa ideia simplesmente aumentar por conta própria o tempo de uso.

Uma avaliação com oftalmologista ou profissional habilitado pode verificar a superfície ocular e a adaptação das lentes.

Telas podem piorar o desconforto

Esse fator não é exclusivo da menopausa.

Quando permanecemos concentrados diante de uma tela, tendemos a piscar menos.

Menos piscadas podem favorecer a evaporação das lágrimas e aumentar a instabilidade do filme lacrimal.

Por isso, uma mulher que já apresenta tendência ao olho seco pode perceber piora durante:

  • computador;
  • celular;
  • televisão;
  • leitura prolongada;
  • trabalho de escritório.

Uma medida simples é fazer pausas regulares e lembrar-se de piscar.

Ar-condicionado também pode contribuir

Ambientes com ar-condicionado geralmente apresentam circulação de ar e menor umidade.

Isso pode aumentar a evaporação da camada aquosa do filme lacrimal.

O mesmo pode acontecer em ambientes com:

  • ventilador direcionado para o rosto;
  • vento forte;
  • baixa umidade;
  • fumaça;
  • poeira.

Para quem já apresenta sintomas de olho seco, controlar esses fatores ambientais pode fazer diferença.

O que pode ajudar no dia a dia?

Alguns hábitos simples podem reduzir o desconforto em muitas pessoas.

Faça pausas durante o uso de telas

Olhe para longe regularmente e permita que os olhos descansem.

Pisque conscientemente

Principalmente durante períodos prolongados de concentração.

Evite vento direto

Não deixe ventilador ou ar-condicionado direcionado diretamente para os olhos.

Mantenha boa hidratação

Beber água adequadamente faz parte de uma rotina saudável, embora hidratação isoladamente não trate todas as causas de olho seco.

Use iluminação adequada

Uma iluminação confortável pode reduzir o esforço visual durante leitura.

Não esfregue os olhos

O ato de esfregar pode aumentar irritação e inflamação.

Lágrimas artificiais podem ajudar?

Em muitos casos, lágrimas artificiais são utilizadas para aliviar sintomas de olho seco.

Mas existem diferentes formulações.

Algumas são mais adequadas para determinados tipos de olho seco, e outras possuem conservantes que podem causar irritação quando utilizadas muitas vezes ao dia.

Por isso, se os sintomas forem frequentes ou persistentes, vale conversar com um oftalmologista para identificar o tipo de olho seco e escolher a abordagem mais adequada.

E colírios “para tirar o vermelho”?

É preciso ter cuidado.

Alguns produtos vendidos para reduzir temporariamente a vermelhidão não tratam necessariamente a causa do problema.

O uso frequente de determinados descongestionantes oculares pode inclusive levar a efeitos indesejáveis.

Se a vermelhidão é recorrente, o ideal é descobrir por que ela está acontecendo.

Terapia hormonal pode melhorar o olho seco?

Esse assunto exige bastante cautela.

A relação entre terapia hormonal da menopausa e olho seco é controversa.

Uma revisão de 2016 apontou resultados limitados e até possíveis efeitos negativos de algumas formas de terapia hormonal sobre estruturas da superfície ocular.

Por outro lado, uma meta-análise de ensaios clínicos publicada em 2020 encontrou melhora em algumas medidas da superfície ocular e sintomas entre mulheres que utilizaram terapia hormonal. Os próprios autores, entretanto, destacaram que o tema permanece controverso.

Portanto, não se deve iniciar terapia hormonal com o objetivo específico de tratar olho seco sem avaliação médica.

A decisão de utilizar terapia hormonal precisa considerar indicações, benefícios, riscos e características individuais.

E os suplementos para os olhos?

É comum encontrar produtos contendo:

  • ômega-3;
  • vitamina A;
  • vitamina E;
  • luteína;
  • zeaxantina;
  • outros nutrientes.

Mas suplemento não deve ser tratado como solução universal para alterações visuais durante a menopausa.

A necessidade depende da alimentação, da condição clínica e do diagnóstico.

Excesso de determinadas vitaminas também pode ser prejudicial.

Por isso, suplementação deve ser individualizada.

Quando procurar um oftalmologista?

Uma mudança persistente na visão merece avaliação.

Procure atendimento especialmente se houver:

  • visão embaçada persistente;
  • perda de visão;
  • dor ocular;
  • vermelhidão intensa;
  • sensibilidade importante à luz;
  • flashes luminosos;
  • aumento repentino de “moscas volantes”;
  • sensação de cortina ou sombra no campo visual;
  • visão dupla;
  • dor associada a náusea ou forte dor de cabeça.

Alguns desses sintomas podem indicar problemas que não têm relação com a menopausa e exigem atendimento rápido.

A consulta oftalmológica depois dos 45 merece atenção

Mesmo sem sintomas importantes, manter avaliações oftalmológicas periódicas pode ser uma boa estratégia.

Isso permite acompanhar:

  • grau;
  • saúde da córnea;
  • pressão intraocular;
  • cristalino;
  • retina;
  • superfície ocular;
  • sinais de doenças relacionadas à idade.

A frequência ideal depende da idade, histórico familiar, uso de medicamentos, presença de doenças e avaliação do profissional.

Como diferenciar olho seco de uma simples mudança de grau?

Não é possível fazer isso com segurança apenas observando os sintomas.

Mas existem algumas pistas.

Quando o problema é olho seco

A visão pode oscilar e melhorar depois de piscar.

Pode haver:

  • ardência;
  • areia nos olhos;
  • vermelhidão;
  • lacrimejamento;
  • desconforto com telas.

Quando pode haver alteração refrativa

A dificuldade tende a permanecer mesmo após piscar.

Pode existir:

  • dificuldade constante para longe;
  • dificuldade progressiva para perto;
  • necessidade de afastar objetos;
  • dificuldade para dirigir;
  • dores de cabeça após esforço visual.

Mas existe sobreposição entre os sintomas.

Por isso, o exame continua sendo a melhor forma de diferenciar.

A menopausa pode causar catarata?

A relação entre hormônios sexuais e diferentes doenças oculares é estudada há anos.

Revisões científicas discutem possíveis relações entre estrogênio e diversas condições oculares, incluindo catarata, glaucoma e degeneração macular relacionada à idade.

Mas isso não significa que a menopausa, por si só, provoque essas doenças.

O envelhecimento continua sendo um dos principais fatores de risco para várias alterações oculares.

Por isso, é melhor pensar na menopausa como um período em que determinadas mudanças oculares podem coexistir com o envelhecimento, e não como uma causa universal de problemas de visão.

O que a alimentação tem a ver com a saúde ocular?

Uma alimentação equilibrada é importante para a saúde geral e também fornece nutrientes envolvidos no funcionamento dos olhos.

Uma dieta variada pode incluir:

  • vegetais verde-escuros;
  • frutas;
  • peixes;
  • ovos;
  • oleaginosas;
  • leguminosas;
  • grãos integrais.

No entanto, alimentação saudável não substitui avaliação oftalmológica.

Também não existe um alimento capaz de “corrigir” uma alteração de grau.

Sono também merece atenção

Mulheres na menopausa frequentemente enfrentam alterações no sono.

E uma noite mal dormida pode aumentar a sensação de:

  • olhos cansados;
  • dificuldade de concentração;
  • desconforto diante de telas;
  • fadiga visual.

Por isso, cuidar do sono pode melhorar a percepção de bem-estar visual, mesmo quando não existe uma doença ocular específica.

O que vale observar na própria rotina?

Uma boa maneira de entender melhor os sintomas é perceber quando eles aparecem.

Observe se o desconforto acontece:

  • depois de muitas horas no computador;
  • no final do dia;
  • em ambientes com ar-condicionado;
  • durante leitura;
  • ao usar lentes de contato;
  • ao acordar;
  • em dias de baixa umidade;
  • continuamente, independentemente do ambiente.

Essas informações podem ser bastante úteis durante uma consulta.

Olhar da Redação: nem todo “grau que mudou” é realmente grau

Esse é um daqueles sintomas que podem levar facilmente a uma interpretação errada.

A mulher chega aos 50 anos, percebe que o celular está mais difícil de enxergar e conclui:

“A menopausa mudou meu grau.”

Pode ser.

Mas também pode ser presbiopia, olho seco, fadiga visual ou simplesmente uma mudança natural relacionada à idade.

E existe ainda outra possibilidade interessante: a própria superfície ocular pode estar alterando a qualidade da imagem que chega aos olhos.

Na nossa visão, essa é a principal mensagem que vale levar deste assunto.

A menopausa não deve ser usada como explicação automática para qualquer alteração na visão.

Ao mesmo tempo, também não devemos ignorar o fato de que o estado hormonal pode influenciar a superfície ocular e determinadas características da córnea. Estudos recentes continuam encontrando diferenças em parâmetros corneanos entre mulheres pré e pós-menopáusicas.

Ou seja, existem duas verdades que podem coexistir:

os hormônios podem participar das mudanças oculares;

e

nem toda mudança visual depois dos 45 anos é causada pela menopausa.

Para nós, essa distinção é justamente o que torna a informação mais útil.

Em vez de simplesmente trocar os óculos toda vez que a visão parece diferente, vale investigar o que realmente mudou.

Conclusão

A menopausa pode estar relacionada a mudanças na saúde ocular, principalmente por causa das alterações hormonais que acontecem durante essa fase.

Uma das manifestações mais estudadas é o olho seco, que pode provocar ardência, sensação de areia, vermelhidão, sensibilidade à luz, cansaço visual e até visão oscilante. A relação envolve não apenas estrogênio, mas também andrógenos, glândulas lacrimais, glândulas de Meibomius e mecanismos inflamatórios da superfície ocular.

Também existem evidências de que a menopausa pode estar associada a alterações em características da córnea, como espessura e alguns parâmetros relacionados à pressão intraocular.

Por outro lado, não é correto afirmar que a menopausa necessariamente altera o grau dos óculos. Estudos recentes não encontraram mudanças significativas na refração simplesmente pelo estado menopausal, enquanto a presbiopia e o envelhecimento natural dos olhos continuam sendo causas muito importantes de alterações visuais após os 40 ou 45 anos.

Por isso, diante de uma mudança persistente na visão, o melhor caminho é investigar em vez de atribuir automaticamente o sintoma à menopausa.

Aviso importante

Este artigo possui finalidade exclusivamente informativa e educativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizado por médico oftalmologista ou outro profissional de saúde qualificado.

Alterações na visão podem ter diversas causas, algumas delas sem relação com a menopausa. Não inicie colírios, suplementos, terapia hormonal ou qualquer outro tratamento por conta própria.

Procure atendimento médico diante de perda súbita de visão, dor ocular intensa, flashes luminosos, aumento repentino de manchas ou pontos flutuantes, sombra ou “cortina” no campo visual, visão dupla ou outros sintomas visuais importantes.

Referências

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  • Revisão sobre estrogênio, função ocular e visão. Oestrogen, ocular function and low-level vision: a review.

Nutravia — Saúde, nutrição e bem-estar para mulheres 45+.

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