Histamina e Flutuação Hormonal: Por Que Certos Alimentos Podem Parecer Diferentes na Perimenopausa?

Durante a perimenopausa, o organismo passa por uma fase de intensas mudanças hormonais.

Os níveis de estrogênio e progesterona deixam de seguir o padrão relativamente previsível dos anos anteriores, podendo apresentar grandes oscilações antes da menopausa propriamente dita.

Essas mudanças são conhecidas principalmente por sintomas como:

  • ondas de calor;
  • alterações do ciclo menstrual;
  • dificuldade para dormir;
  • mudanças de humor;
  • cansaço;
  • dores de cabeça;
  • palpitações;
  • alterações na composição corporal.

Mas os hormônios também participam da regulação do sistema imunológico e de células envolvidas nas reações inflamatórias, incluindo os mastócitos.

Por isso, pesquisadores vêm estudando a possível relação entre as flutuações hormonais da perimenopausa e manifestações de hipersensibilidade.

É nesse contexto que aparece a histamina.

Algumas mulheres podem perceber que determinados alimentos parecem provocar sintomas que não provocavam anteriormente. Isso pode gerar a impressão de que surgiu uma nova “alergia alimentar”.

Mas existe uma diferença importante:

nem toda reação após comer determinado alimento é uma alergia.

Ela pode envolver intolerância, quantidade ingerida, composição da refeição, armazenamento do alimento, outros componentes alimentares ou até uma coincidência temporal.

Entender essa diferença é fundamental para evitar restrições alimentares desnecessárias.

O que é a histamina?

A histamina é uma substância naturalmente produzida pelo organismo e que desempenha diversas funções.

Ela participa, entre outros processos, das respostas imunológicas e inflamatórias.

Quando determinadas células imunológicas são ativadas, podem liberar histamina, que atua em diferentes tecidos.

Esse processo pode contribuir para sintomas como:

  • coceira;
  • vermelhidão;
  • inchaço;
  • dilatação dos vasos sanguíneos;
  • secreção nasal;
  • contração das vias respiratórias;
  • alterações gastrointestinais.

A histamina também pode estar presente em determinados alimentos, especialmente aqueles que passam por processos de fermentação, maturação ou armazenamento prolongado.

É aí que a alimentação entra nessa discussão.

Histamina dos alimentos é a mesma coisa que alergia?

Não.

Essa é provavelmente a distinção mais importante deste artigo.

Uma alergia alimentar verdadeira envolve uma resposta imunológica contra proteínas específicas de determinado alimento.

Nas alergias mediadas por IgE, por exemplo, o organismo reconhece uma proteína alimentar como ameaça e desencadeia uma reação imunológica que pode liberar mediadores como a histamina.

Já a chamada intolerância à histamina é uma situação diferente.

Nesse caso, a hipótese é que a quantidade de histamina ingerida ou acumulada não seja adequadamente tolerada pelo organismo.

O diagnóstico, porém, é muito mais complexo do que simplesmente medir a quantidade de histamina de um alimento.

Revisões científicas destacam que ainda existem importantes incertezas sobre os mecanismos, critérios diagnósticos e testes utilizados para identificar intolerância à histamina.

Por que a perimenopausa entrou nessa discussão?

Porque os hormônios sexuais não atuam apenas sobre o sistema reprodutivo.

Estrogênio e progesterona também apresentam interações com:

  • sistema imunológico;
  • vasos sanguíneos;
  • tecidos conjuntivos;
  • sistema nervoso;
  • células inflamatórias.

Os mastócitos, por exemplo, são células imunológicas capazes de liberar histamina e outros mediadores.

Uma revisão publicada em 2026 descreveu justamente a influência das oscilações de estrogênio e progesterona sobre a atividade dos mastócitos, inflamação e permeabilidade vascular durante a menopausa.

Isso não significa que toda mulher na perimenopausa desenvolverá intolerância à histamina.

Significa que a transição hormonal pode modificar o contexto em que determinadas respostas imunológicas acontecem.

Os hormônios podem influenciar os mastócitos?

Essa é uma das áreas mais interessantes da pesquisa.

Os mastócitos fazem parte do sistema imunológico e estão presentes em diversos tecidos do corpo.

Quando ativados, podem liberar diferentes substâncias, entre elas:

  • histamina;
  • triptase;
  • leucotrienos;
  • prostaglandinas;
  • citocinas.

A atividade dessas células pode ser influenciada por diversos fatores.

Entre eles estão:

  • hormônios;
  • infecções;
  • inflamação;
  • medicamentos;
  • estresse;
  • exposição a determinados agentes;
  • fatores individuais.

A literatura recente sobre alergias na menopausa sugere que a queda e a oscilação dos hormônios sexuais podem alterar a atividade dos mastócitos e a expressão de algumas doenças alérgicas. Os próprios pesquisadores, entretanto, destacam que ainda existem lacunas importantes no conhecimento.

Isso significa que a menopausa causa novas alergias alimentares?

Não necessariamente.

Essa seria uma conclusão muito mais forte do que as evidências permitem.

Existem estudos indicando que sexo, hormônios e outros fatores podem influenciar a manifestação de doenças alérgicas.

Uma revisão sobre diferenças entre homens e mulheres em alergias alimentares observou que a diferença de prevalência entre os sexos diminui ao redor da menopausa, reforçando o interesse científico na influência dos hormônios. Entretanto, os próprios autores destacam que ainda existem poucos estudos controlados especificamente sobre esse período.

Uma revisão mais recente, publicada em 2026, também aponta que a menopausa pode modificar a expressão de doenças alérgicas e de hipersensibilidade, mas ressalta que os mecanismos ainda não estão completamente esclarecidos.

Portanto, é mais correto dizer:

a transição hormonal pode influenciar a forma como algumas respostas imunológicas se manifestam, mas não significa que a menopausa transforme automaticamente alimentos tolerados em alimentos alergênicos.

Por que alguns alimentos são associados à histamina?

A quantidade de histamina nos alimentos varia bastante.

Alguns alimentos podem apresentar concentrações maiores dependendo de fatores como:

  • fermentação;
  • maturação;
  • processamento;
  • armazenamento;
  • temperatura;
  • atividade bacteriana;
  • tempo desde a produção.

Entre os alimentos frequentemente discutidos em dietas com baixo teor de histamina estão:

  • queijos maturados;
  • embutidos e carnes curadas;
  • alimentos fermentados;
  • alguns peixes;
  • bebidas alcoólicas, especialmente vinho;
  • determinados molhos fermentados.

Mas existe uma ressalva muito importante.

Não existe uma lista universal e perfeitamente confiável de alimentos “proibidos” para todas as pessoas com suspeita de intolerância à histamina.

Uma revisão publicada no PubMed observou grande variabilidade nas concentrações de aminas biogênicas entre alimentos e falta de padronização suficiente para produzir listas absolutamente precisas.

O peixe merece uma atenção especial

Alguns peixes podem acumular quantidades elevadas de histamina quando são inadequadamente armazenados.

Isso ocorre principalmente devido à proliferação de determinadas bactérias capazes de transformar histidina em histamina.

Esse fenômeno pode causar intoxicação por histamina, que é diferente de uma alergia alimentar.

Uma revisão publicada em 2025 analisou especificamente a presença de histamina em alimentos brasileiros e encontrou níveis relevantes em alguns grupos, especialmente em determinados peixes, carnes fermentadas e queijos maturados.

Isso mostra por que armazenamento e segurança alimentar são importantes nessa discussão.

Intoxicação por histamina é diferente de intolerância

Esses termos costumam ser confundidos.

Intoxicação por histamina

Pode ocorrer quando um alimento apresenta uma concentração muito elevada de histamina, frequentemente relacionada à deterioração ou armazenamento inadequado.

É uma questão de segurança alimentar.

Intolerância à histamina

É um termo utilizado para descrever sintomas atribuídos à dificuldade de tolerar histamina ingerida.

O diagnóstico é controverso e não existe atualmente um teste laboratorial simples e definitivo que confirme todos os casos.

Alergia alimentar

É uma reação imunológica específica contra componentes do alimento.

Pode envolver mecanismos como a produção de anticorpos IgE.

São situações diferentes e precisam ser avaliadas de maneiras diferentes.

Quais sintomas podem aparecer?

Os sintomas atribuídos à histamina podem ser bastante variados.

Algumas pessoas relatam:

  • vermelhidão;
  • coceira;
  • urticária;
  • dor de cabeça;
  • congestão nasal;
  • desconforto abdominal;
  • diarreia;
  • náusea;
  • palpitações;
  • sensação de calor;
  • queda da pressão em reações importantes.

O problema é que esses sintomas são inespecíficos.

Eles também podem ocorrer em inúmeras outras condições.

Por isso, ter dor de cabeça depois de beber vinho, por exemplo, não significa automaticamente que a pessoa tenha intolerância à histamina.

E se os sintomas começaram na perimenopausa?

Esse é justamente o ponto que merece investigação.

Se uma mulher percebe que determinados alimentos passaram a provocar sintomas depois dos 40 ou 45 anos, existem várias possibilidades.

Pode haver:

  • alergia alimentar;
  • intolerância alimentar;
  • reação a algum aditivo;
  • intoxicação alimentar;
  • alteração gastrointestinal;
  • efeito do álcool;
  • interação com medicamentos;
  • mudança na quantidade consumida;
  • influência hormonal;
  • outra condição de saúde.

Ou seja, a coincidência entre perimenopausa e surgimento dos sintomas não prova uma relação de causa e efeito.

O estrogênio pode influenciar as reações alérgicas?

Existe evidência de que os hormônios sexuais podem influenciar o sistema imunológico.

O estrogênio, por exemplo, apresenta efeitos sobre diferentes células imunológicas e pode modificar determinadas vias inflamatórias.

A revisão de 2026 sobre alergias na menopausa descreve justamente a influência das flutuações hormonais sobre mastócitos, inflamação do tipo 2 e permeabilidade vascular.

Mas é importante evitar uma simplificação:

mais estrogênio não significa necessariamente mais alergia, e menos estrogênio não significa necessariamente menos alergia.

A relação depende do tecido, do receptor hormonal, da doença, do momento hormonal e de outros fatores individuais.

A progesterona também participa?

Sim.

A progesterona também apresenta interação com o sistema imunológico e pode influenciar diferentes mecanismos durante a transição menopausal.

Como a perimenopausa envolve justamente flutuações dos hormônios, e não apenas uma queda linear, a resposta do organismo pode variar de uma mulher para outra.

Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas percebem períodos em que determinados sintomas aparecem e desaparecem.

E a chamada “atividade da DAO”?

A DAO, ou diamina oxidase, é uma enzima envolvida na degradação da histamina no trato gastrointestinal.

Por esse motivo, existe uma hipótese de que alterações na atividade dessa enzima poderiam contribuir para sintomas atribuídos à intolerância à histamina.

Mas existe uma ressalva importante:

medir DAO no sangue não é considerado um teste definitivo para diagnosticar intolerância à histamina.

Diretrizes publicadas por sociedades europeias de alergologia destacam que testes laboratoriais disponíveis, incluindo a dosagem sérica de DAO, apresentam limitações importantes.

Por isso, não é recomendável interpretar isoladamente um resultado de exame como prova de que uma pessoa “tem intolerância à histamina”.

Devo cortar todos os alimentos ricos em histamina?

Não.

Essa é uma das principais recomendações que merece cuidado.

Uma pessoa que começa a pesquisar sobre histamina pode encontrar listas enormes de alimentos supostamente proibidos.

O problema é que eliminar:

  • leite;
  • queijos;
  • carnes;
  • peixes;
  • frutas;
  • vegetais;
  • alimentos fermentados;
  • bebidas;
  • diversos outros produtos

sem orientação pode tornar a alimentação excessivamente restritiva.

A própria diretriz alemã e de sociedades europeias alerta para o risco de dietas de eliminação extensas e desnecessárias em pessoas que acreditam ter intolerância à histamina.

Uma dieta muito restritiva pode trazer outro problema

Quando uma pessoa elimina muitos alimentos simultaneamente, fica mais difícil descobrir qual deles realmente estava relacionado aos sintomas.

Além disso, podem surgir deficiências nutricionais.

Isso é especialmente relevante durante a perimenopausa, quando uma alimentação adequada fornece nutrientes importantes para:

  • massa muscular;
  • ossos;
  • coração;
  • sistema nervoso;
  • metabolismo;
  • saúde intestinal.

Por isso, uma estratégia nutricional individualizada costuma ser muito mais interessante do que uma lista genérica de proibições.

Existe uma dieta com baixo teor de histamina?

Sim.

Dietas com redução de alimentos ricos em histamina são utilizadas em alguns contextos quando existe suspeita clínica.

Mas a abordagem precisa ser individualizada.

Uma revisão publicada no PubMed aponta que a dieta com baixo teor de histamina é uma das estratégias mais utilizadas quando existe suspeita de intolerância, mas também destaca a necessidade de melhorar a padronização das informações sobre os níveis de histamina nos alimentos.

Na prática, isso significa que a alimentação pode ser usada como ferramenta de investigação sem transformar a dieta em uma lista permanente de restrições.

O diário alimentar pode ser útil

Uma estratégia relativamente simples é registrar durante algumas semanas:

  • horário da refeição;
  • alimentos consumidos;
  • quantidade aproximada;
  • sintomas;
  • horário em que os sintomas apareceram;
  • ciclo menstrual, quando ainda houver menstruação;
  • uso de medicamentos;
  • consumo de álcool;
  • qualidade do sono;
  • nível de estresse.

Esse registro pode ajudar o profissional de saúde a identificar padrões.

Por exemplo, talvez o problema não seja determinado alimento isoladamente.

Pode ser a combinação:

álcool + pouco sono + estresse + alimento fermentado.

Sem registrar essas informações, esse tipo de relação pode passar despercebido.

A quantidade também pode fazer diferença

Uma pessoa pode tolerar uma pequena quantidade de determinado alimento e apresentar sintomas depois de consumir uma quantidade maior.

Isso é particularmente relevante quando se fala de substâncias presentes naturalmente nos alimentos.

Além disso, diferentes alimentos podem contribuir simultaneamente para a exposição à histamina.

Por isso, a percepção de “esse alimento me faz mal” pode ser verdadeira como experiência individual, mas não necessariamente significa que exista uma alergia específica àquele alimento.

Alimentos frescos são melhores?

Em algumas estratégias de redução de histamina, alimentos frescos e corretamente armazenados são priorizados.

Isso faz sentido porque a concentração de histamina pode aumentar em determinados alimentos durante armazenamento, fermentação ou deterioração.

Mas isso não significa que todo alimento fresco seja automaticamente “seguro” e todo alimento fermentado seja “ruim”.

A quantidade de histamina varia consideravelmente entre produtos.

A revisão sobre alimentos brasileiros publicada em 2025 mostrou justamente essa grande variação entre diferentes grupos e produtos.

O álcool merece atenção

O vinho é frequentemente citado quando o assunto é histamina.

Além da possibilidade de conter aminas biogênicas, bebidas alcoólicas podem interagir com processos relacionados ao metabolismo da histamina.

Também podem favorecer vasodilatação e provocar sintomas que se confundem com reações histamínicas.

Durante a perimenopausa, algumas mulheres também percebem maior sensibilidade ao álcool por outros motivos, como piora do sono e dos fogachos.

Portanto, se determinado sintoma aparece após beber, vale observar o padrão em vez de assumir imediatamente uma alergia.

E os alimentos fermentados?

Alimentos fermentados podem apresentar quantidades variáveis de aminas biogênicas.

Alguns exemplos incluem:

  • determinados queijos maturados;
  • alimentos fermentados de soja;
  • alguns embutidos;
  • bebidas fermentadas;
  • outros produtos submetidos à ação de microrganismos.

Isso não significa que esses alimentos sejam necessariamente inadequados para todas as mulheres.

A resposta individual varia bastante.

Como investigar uma possível alergia alimentar?

Quando existe suspeita de alergia verdadeira, o primeiro passo é uma história clínica detalhada.

O profissional pode avaliar:

  • alimento envolvido;
  • quantidade consumida;
  • tempo entre o consumo e os sintomas;
  • sintomas apresentados;
  • frequência das reações;
  • histórico de alergias;
  • medicamentos;
  • outras doenças.

Dependendo da situação, podem ser solicitados exames como:

  • teste cutâneo;
  • IgE específica;
  • outros testes imunológicos;
  • eventualmente teste de provocação oral supervisionado.

As diretrizes da European Academy of Allergy and Clinical Immunology destacam que a avaliação começa pela história clínica e pode ser complementada por testes de sensibilização; em casos selecionados, o teste de provocação oral é referência diagnóstica.

O que não fazer

Existem alguns erros comuns quando uma pessoa começa a suspeitar de histamina.

Não faça uma dieta extremamente restritiva sozinha

Você pode retirar alimentos importantes sem necessidade.

Não confunda alergia com intolerância

Os mecanismos são diferentes.

Não considere um exame isolado como diagnóstico

Especialmente no caso da suposta intolerância à histamina.

Não elimine dezenas de alimentos ao mesmo tempo

Isso dificulta identificar possíveis padrões.

Não reintroduza um alimento suspeito de alergia grave por conta própria

Em pessoas com histórico de reação importante, qualquer provocação deve ser conduzida por profissional capacitado.

Quando procurar atendimento médico imediatamente?

Algumas reações alimentares podem ser graves.

Procure atendimento de emergência se após comer ocorrer:

  • dificuldade para respirar;
  • inchaço da língua ou garganta;
  • sensação de fechamento da garganta;
  • tontura intensa;
  • desmaio;
  • queda importante da pressão;
  • reação generalizada rapidamente progressiva.

Esses sinais podem indicar uma reação alérgica grave, incluindo anafilaxia.

Não é uma situação para testar novamente o alimento em casa.

E quando procurar um alergista ou nutricionista?

Vale considerar uma avaliação profissional quando:

  • os sintomas são recorrentes;
  • várias comidas parecem desencadear reações;
  • a alimentação está ficando cada vez mais limitada;
  • existe perda de peso involuntária;
  • há sintomas gastrointestinais frequentes;
  • surgem urticária ou inchaços;
  • existe histórico de alergia;
  • você está evitando grupos alimentares inteiros.

Um alergista pode investigar a possibilidade de alergia verdadeira.

Um nutricionista pode ajudar a organizar a alimentação sem criar restrições desnecessárias.

Em alguns casos, os dois profissionais podem trabalhar em conjunto.

A microbiota intestinal tem alguma relação?

A microbiota intestinal também vem sendo estudada na relação entre alimentação, imunidade e alergias.

A composição das bactérias intestinais pode influenciar diferentes aspectos da resposta imunológica.

Porém, ainda não é possível afirmar que “corrigir a microbiota” resolva intolerância à histamina ou alergia alimentar.

Esse é um campo de pesquisa promissor, mas ainda existem muitas perguntas sem resposta.

Probióticos ajudam?

Também existe interesse científico nessa possibilidade.

Algumas bactérias intestinais participam do metabolismo de compostos alimentares, incluindo aminas biogênicas.

Entretanto, isso não significa que qualquer probiótico seja capaz de reduzir a histamina no organismo.

As cepas bacterianas possuem características diferentes, e alguns microrganismos podem inclusive produzir aminas biogênicas.

Por isso, não é adequado recomendar um probiótico específico como tratamento universal para “intolerância à histamina”.

O estresse pode piorar os sintomas?

Pode influenciar a percepção e a intensidade de vários sintomas gastrointestinais e imunológicos.

Além disso, o estresse pode aumentar:

  • tensão;
  • alterações intestinais;
  • problemas de sono;
  • dores de cabeça;
  • percepção de desconforto.

Durante a perimenopausa, essas variáveis podem se sobrepor.

Por isso, observar sono e estresse no diário alimentar pode ser tão importante quanto observar o alimento consumido.

Sono ruim também pode confundir o quadro

Uma noite mal dormida pode aumentar a sensibilidade a diversos sintomas.

Durante a perimenopausa, isso é especialmente relevante porque alterações hormonais podem interferir no sono.

Se uma mulher percebe que “tudo me faz mal” principalmente depois de noites mal dormidas, vale registrar esse padrão.

Talvez exista mais de um fator envolvido.

Perimenopausa não significa que você precisa ter medo da comida

Essa talvez seja uma das mensagens mais importantes.

A alimentação durante a perimenopausa deve continuar sendo variada e nutricionalmente adequada.

Não há motivo para retirar alimentos importantes simplesmente porque uma lista na internet os classificou como “ricos em histamina”.

Se existe uma reação repetida e consistente, ela merece investigação.

Mas a investigação deve buscar respostas, não criar uma alimentação cada vez mais limitada.

Olhar da Redação: antes de culpar a histamina, procure o padrão

Existe uma armadilha muito comum nesse assunto.

A mulher percebe que depois de comer determinado alimento fica com dor de cabeça, sente calor, apresenta desconforto abdominal ou fica com a pele avermelhada.

Ela pesquisa na internet e encontra a palavra histamina.

A partir daí, começa a retirar alimentos.

Primeiro corta vinho.

Depois queijo.

Depois tomate.

Depois chocolate.

Depois alimentos fermentados.

E, quando percebe, está seguindo uma dieta extremamente restritiva sem saber exatamente o que está acontecendo.

Na nossa visão, esse não é o melhor caminho.

A experiência de perceber que determinado alimento desencadeia um sintoma deve ser levada a sério, mas ela não precisa receber automaticamente o rótulo de “alergia” ou “intolerância à histamina”.

A literatura atual mostra justamente que esse diagnóstico pode ser difícil e que os sintomas são pouco específicos. Diretrizes internacionais alertam para o risco de dietas de eliminação excessivas e destacam a importância de uma abordagem individualizada.

O que consideramos mais útil é observar o padrão.

Qual alimento?

Qual quantidade?

Quanto tempo depois aparecem os sintomas?

Isso acontece sempre?

Acontece quando houve álcool?

Como estava o sono?

Havia estresse?

O alimento estava fresco ou armazenado há vários dias?

Essas perguntas podem revelar muito mais do que simplesmente procurar uma lista de alimentos “proibidos”.

E existe ainda um ponto interessante: pesquisas recentes realmente estão investigando como as oscilações hormonais da menopausa podem influenciar mastócitos e doenças de hipersensibilidade. Portanto, não é errado investigar uma possível relação entre hormônios e sintomas — apenas precisamos evitar transformar uma hipótese científica em diagnóstico.

Para nós, esse equilíbrio é o mais importante: levar o sintoma a sério sem criar medo desnecessário da comida.

Conclusão

A relação entre histamina, alimentação e flutuações hormonais na perimenopausa é um tema interessante e ainda em investigação.

Os hormônios sexuais participam da regulação do sistema imunológico e podem influenciar células como os mastócitos, que liberam histamina e outros mediadores inflamatórios. Pesquisas recentes sugerem que a transição menopausal pode modificar a manifestação de algumas doenças de hipersensibilidade, embora os mecanismos ainda não estejam completamente esclarecidos.

Ao mesmo tempo, é importante não confundir:

  • alergia alimentar;
  • intolerância alimentar;
  • intolerância à histamina;
  • intoxicação por histamina.

São situações diferentes.

Também não existe uma lista universal de alimentos que todas as mulheres na perimenopausa deveriam evitar. A quantidade de histamina presente nos alimentos pode variar bastante conforme o produto, processamento, fermentação e armazenamento.

Se determinados alimentos parecem desencadear sintomas novos, especialmente durante a perimenopausa, vale registrar os episódios e conversar com um médico, alergista ou nutricionista.

O objetivo não deve ser simplesmente cortar alimentos, mas descobrir o que realmente está acontecendo e preservar uma alimentação variada, segura e nutricionalmente adequada.

Aviso importante

Este conteúdo possui finalidade exclusivamente informativa e educativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizado por médico, alergista, nutricionista ou outro profissional de saúde qualificado.

A chamada intolerância à histamina ainda apresenta controvérsias científicas e não deve ser diagnosticada apenas com base em sintomas ou exames isolados. Não elimine grandes grupos de alimentos nem inicie dietas muito restritivas sem orientação profissional.

Se após consumir algum alimento ocorrer dificuldade para respirar, inchaço da língua ou garganta, desmaio, queda importante da pressão ou uma reação generalizada rapidamente progressiva, procure atendimento médico de emergência.

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Nutravia — Saúde, nutrição e bem-estar para mulheres 45+.

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